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terça-feira, fevereiro 22, 2011

Insensatez. Demagogia Pessoal. O Amor e seu Avesso.





A dúvida e o sentimento são os sentimentos de grande descaminho do ser humano. Mas, pior que a dúvida, torna-se a certeza insensata. Exatamente aquela certeza que acontece manipuladamente ou ainda que pode ter sido comprada (ou será vendida?), que aconteceu em razão de uma promessa que talvez nem seja cumprida por quem a fez.
Esta certeza insensata resulta em atos que desatam sentimentos difíceis de se descrever nos alheios corações, que nem eram tão alheios, ou pior, que não deveriam ser, antes dos atos.
Mas, infelizmente, foram estes atos, neste momento, que fez com que percebêssemos o quanto somos alheios, o quanto não fomos importantes em nenhum momento, do quanto não houve o mínimo de responsabilidade na dita hora com aquele que, conforme suas próprias citações do Pequeno Príncipe “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas...” era sua responsabilidade, tornando-se o autor dos atos demagogo com as relações pessoais.
Mas, não será o sentimento também um descaminho? Sim, ele é; assim como a sua ausência.
É evidente que ao tomar ou deixar de tomar minhas decisões não faço pensando no que o mundo dirá ou pensará sobre isto, mas analiso se eu não tenho responsabilidade com alguém, se meus atos não vão implicar na vida deste alguém e se este alguém é importante ou meramente alheio a minha vida. Mas isto não se chama deixar-se levar pelo sentimento, isto se chama responsabilidade e ética com as relações.
A ausência de sentimento é isto: um ato insensato; pois este é baseado somente na irresponsabilidade com os (dens)enrolares na vida alheia.
Independente do que se pense, a análise antes dos atos deveria ser minuciosa; frente a frente ao menos para se manter responsável até o fim e não sair como demagogo ou irresponsável. Mesmo que no coração do que se sente traído por se perceber um mero alheio isso não seja de fato o fim do mundo ou o fim dos sentimentos, fica um sentimento indescritível, quase um luto; o avesso, mas não o oposto, do amor.

domingo, agosto 02, 2009

Alienação


É incrível como a exploração do erotismo recebe a audiência do público brasileiro. É domingo, dia da família, todos reunidos à sala, as crianças, os homens, todo o povo reunido em frente à TV na hora do almoço, horário em que se deveria respeitar as senhoras, as crianças e aqueles que duramente investiram em suas vidas intelectuais! E lá todos estão sentados para se divertir com a exploração do erotismo, com os closes nas nádegas e seios das modelos; com a ridicularização dos esteriótipos da sociedade, os travestis e seus desejos, os pedreiros sedentos de mulheres gostosas... Enfim, é o tempo das explorações! E a exploração emocional? Pessoas pobres recebendo as caridosas ajudas marketeiras dos programas de TV têm expostas suas intimidades, problemas de família, choram, lamuriam-se... Com os sentimentos, também há a exploração e sua ridicularização.
Eis o circo de Roma! A Lacraia não morreu! Enquanto o povo se diverte com as Lacraias e Ellens, sua mente se aliena e enferruja; depois sua mente não funciona diante dos problemas da sociedade, das escolhas dos profissionais para os cargos públicos, da construção das críticas ao sistema de saúde, de seus problemas particulares que envolvem a educação dos filhos...
Qual será o resultado depois de alguns anos na vida de uma criança que aos cinco anos começa a ser exposta aos programas de domingo? Será que ela será capaz de construir valores e ter raciocínio lógico e intelectual? Terá ela condições de apreciar uma obra de arte? Será que ela será capaz de almejar algo melhor para sua vida material, espiritual depois de anos acompanhando o pai e a mãe nas diversões cretinas da exploração e ridicularização do ser humano?
Hoje resolvi pensar a respeito, afinal, casada e com uma enteada, estou sofrendo a violência dominical! Depois de tantos domingos lendo poesias, lendo as críticas literárias, explorando as teorias lingüísticas, assistindo a filmes clássicos, agora estou aqui, quase regurgitando o almoço de domingo ingerido em frente à programação de maior audiência.
Preciso pra já de um emprego! Preciso receber um salário que me seja suficiente para tentar purificar a mente da minha família com teatro, cinema, exposições e contato com gente culta. Não posso permitir minha família sofrer a violência dominical e muito menos permitir-me juntar-se a eles!
Observação: Caso eu não consiga purificar minha família, caso eu não desista dela, e, mesmo assim, não me juntar a eles, posso comunicar em alguns anos o resultado da garotinha de cinco anos.

quinta-feira, abril 09, 2009

O dia em que Marília disse o sim


Casei! Finalmente Marília casou. Não é bem assim... Não tive sacerdote, festa ou dote, mas casei, juntei ou ainda amasiei, como dizem por aqui. Foi tudo bem ligeiro, nem mesmo esperava que aquele que conheci num sábado de inverno fosse me conquistar no verão a ponto de eu dizer o SIM, pior, largar o mar da ilha da magia e vir para as matas de Viamão. Engraçado, cômico, assustador, lamentado, etc., não importa, o que importa é que casei.

Às vezes, o que é melhor para nós está além da capacidade de nossos próprios anseios, mais ainda das vidências nossas de cada dia. Uma vez lá atrás, há um ano, eu vi em meu baralho que me casaria, vi também que seria em um ano, e mais, com um filho do Grande Pai; cá para nós, quem melhor para casar com a filha da Grande Mãe? Mas quem é que vai acreditar? Há poucos meses, vi que eu me mudaria, mas pensei que seria mais uma daquelas mudanças de bairro... Que nada, além de me casar, ainda me mudei para outro estado! E nem avisei ninguém! Loucura ou não, aconteceu comigo sem o menor condicionamento de visões, previsões, afinal, nem mesmo me lembrava do que tinha previsto. Depois que tudo estava arranjado, a mudança encaminhada, ou encaminhonada, me lembrei das previsões...

Se hoje vou fazer alguma previsão para este casamento, seja lá o nome que queiram dar, não farei. Deixarei o tempo mostrar as conseqüências, afinal, nem preço e nem medalha há no final, tudo é mera consequência e nada é de todo ruim e nem de todo bom. Os fatos da vida simplesmente acontecem, mas certamente somos nós que damos a eles a luz ou a escuridão.

Amizade é tudo que é de mais importante em um relacionamento, depois vem a paixão, a admiração; o amor é a mera soma dos sentimentos multiplicados pelas atitudes do dia-a-dia (ceder, compreender, esforçar-se [não para agradar, mas para prosperar], etc.). É isso o que aprendi assistindo os relacionamentos dos parentes, dos amigos e com passado: sem amizade, sem longas horas de conversas divertidas e instrutivas nada mais poderá haver.

terça-feira, fevereiro 17, 2009

No Teatro da Vida ou da Morte

[Sinfonia da Dúvida, Acrílico s. papel, por MCValdágua]
Enquanto tudo é possível, não há nada que possa ser previsto ou dito. Dúvida? A Dúvida seria escrúpulo, ou não? Talvez medo? Ou insegurança? O que é a Dúvida? Pior que a dúvida, ou o que a piora, antes pelo contrário, é a ansiedade pela Decisão. Diz Aristóteles que a Dúvida é o princípio da Sabedoria, será mesmo sábio aquele que duvida? E até mesmo aquele que duvida de si próprio e de sua fé? Ou será este um cretino? Quais os caminhos que a Dúvida nos leva? Serão perigosos os caminhos? Terão um final? Será feliz esse final? Como será? A Dúvida, me parece, exige precaução. Se na Dúvida digo sim, mas não tenho certeza do sim, apenas tenho a ansiedade pela Decisão? E se digo não apenas pela ansiedade pela Decisão? Uma resposta errada e caminhos errados de finais imprevistos. Dúvidas nem sempre são solucionadas em sins ou em nãos, às vezes, em frases completas de sentidos, às vezes, ambíguos, onde, ou quando, você põe sua vida em xeque ou num cheque, põe toda sua estrutura à prova ou à perda, sua vida ao céu, ao léu ou ao inferno ou em todos os lugares ao mesmo tempo... Isso é mesmo possível? Onde está minha vida neste momento? Em que lugar será que a Dúvida, melhor, as Dúvidas, me colocam? Qual o preço de tantas Dúvidas? Viver doze horas ao céu, outras doze ao léu ou ao inferno, ou algo assim talvez seja um preço razoavelmente caro, um preço que não posso mais pagar, pois a cada dia seu valor aumenta e meu coração se lamenta. De quem é a culpa por tantas Dúvidas? Minhas, tuas? Terá alguém culpado nisso tudo? É natural? Talvez não? Sou Eu? É a vida ou a morte? E se eu persistir? Será sábio? Será idiota? Louco?

domingo, janeiro 11, 2009

Através do Espelho

Quem é você?





Olho-te nos olhos todos os dias
E não te reconheço
Ouço-te diariamente e enlouqueço
Questiono-te diariamente,
A procura de uma explicação, e
De ti nenhuma vil resposta ao menos
Olho-te nos olhos todos os dias
E não te reconheço
Atos insanos te vejo cometer diariamente
Pensamentos medíocres ouço de ti noturnamente
De ti nenhuma vil explicação ao menos
Olho-te nos olhos diariamente
Olho-te e não te reconheço
Olho-te e não me reconheço
Olho-me e não te reconheço
Não me reconheço nas janelas
Não te reconheço nas janelas
Não reconheço meus sentimentos
Não reconheço teus sentimentos
Não reconheço meu sorriso
Não reconheço teu sorriso
Não reconheço minhas lágrimas
Não reconheço tuas lágrimas





quarta-feira, janeiro 07, 2009

Cidade...Cidadela... Os pássaros que lá gorjeiam não gorjeiam como cá


Pássaros ou uma Mulher?

Uma Cidadela onde ser Cinderela é Show
Uma Cidade onde ser Primogênita é trabalhoso.


O mar tem em várias outras cidades. Mas, eu escolhi o grandioso e pequeno mar da Tapera – Floripa-SC. Um mar fechado com sua orla enfeitada pelos barracões de pescadores e pelos feitiços dos bruxos da vila. Esse mar se esconde dos turistas, ou será que os turistas dele se escondem? É melhor deixar assim. Não sei se eu escolhi o mar da Tapera ou se ele me escolheu, mas o fato é que em São Paulo não fico e pronto e acabou! São Paulo não me quer, eu não a quero; a Tapera é muito mais divertida. As aves que cá gorjeiam não gorjeiam como lá; eh, estou em São Paulo vendo o seu céu cinza, sentindo o seu vento poluído e pesado, ouvindo as estressadas buzinas dos carros e o rancoroso motor dos ônibus, caminhões e trens. Não que na Tapera não tenhamos ônibus e caminhões, isso temos sim, mas ao invés de trem, temos barcos e cavalos.
Temos uma praça de tamanho significativo por perto. Na Tapera essa praça seria o maior sucesso! Árvores e balanços para realizar de dia os sonhos de crianças, e, de noite, feitiços. Mas aqui... Sua única serventia é abrigar os desabrigados dos bares e oferecer-lhes um banco gelado de frente ao cruzeiro para que possam se refestelar até o amanhecer ao som de suas roucas vozes, quando muito, acompanhadas do som do violão e da sirene da polícia. Mas há algo bom: roucas vozes pressupõe companhia; refestelar-se pressupõe em alto-estilo. Não há mal que não me traga nenhum bem.
É janeiro, verão, segundo a tradição. Mas vivemos dias tão cinzas e gelados, sem humor ou graça, sem desejos despertos e tampouco realizados... Parece inverno, e dos pesados, com direito aos casacos de lã pesada. Verão hipocondríaco. É o verão mais hipocondríaco que vivo em São Paulo. Se eu estivesse na minha Tapera... Mas aqui já tomei de banhos de descarrego a calmantes, incluindo os pós-copos, doses duplas. Lá, o que eu tomo? Vá se lá hoje um banho de descarrego, daqui uma semana outro... E assim vai. Lá nem tenho problemas pós-copos, não que lá não tenha copos, mas não tem mesmo são problemas... Calmantes? Só em caso extremo de vida ou morte. Lembro-me de ter tomado apenas um, numa noite que não pude ir pra casa... Aqui, em poucos dias, já quase me internei numa clínica para nervosos. É , não dá!
Talvez eu fique assim nervosa por ficar entediada. Ficar entediada em São Paulo, a Sampa? É... São Paulo não me quer mesmo.
Teve um dia que foi exclusivamente maravilhoso. Foi o dia em que passei com minha família no Parque do Ibirapuera. Eu e minha irmã alugamos bicicletas (R$5 por hora, um assalto!) e andamos por todo o parque sob o cinza céu, mas até que os seus verdes se destacavam bem nesse clima. O parque não estava cheio. Tinha pessoas suficientes para assegurar algumas colisões, afinal é São Paulo e ninguém respeita as regras de trânsito mesmo, nem mesmo as mais banais que viabilizam o bom e seguro tráfego de bicicletas pelas ciclovia do parque. O pior e incrível, isso é fdd para mim, eu andava sempre à frente da minha irmã caçula, depois que eu passava, ela passava e lá começava a sessão taradice. Mas também, ela com seus belos 15 anos andando de bicicleta vestida em pedaço de pano... Quero o quê? Ela já não é mais a minha irmãzinha, é apenas a minha irmã.
Não sei se isso piora a situação ou não, mas aquela que foi minha irmãzinha e que hoje é apenas a minha irmã tem um namorado quatro anos mais velho do que ela. Ele é uma graça de menino, tem uma mãe que é também a graciosidade em pessoa, mas só de pensar a minha menininha nos braços daquele cabra... Tenho vontade de sumir! Entendo então a situação que minha mãe, meu pai, meus tios passaram quando era eu que me enrolava nos braços dos cabras aos 15 anos... Hoje, mesmo cheia de ciúmes, apóio a relação deles, formam um casal bonito e o cabra poderá ser um cunhado bacana para almoçar aos domingos e, depois, fazer sessão jogos de tabuleiro, o que eu e minha irmaz... irmã adoramos.
Voltando à proposta... Afinal, é preciso desabafar. Registrar aqui, onde qualquer terráqueo que, ao menos, leia o português brasileiro possa ler e ver. É uma forma, talvez de recolher testemunhas para o dia em que São Pedro me indagar sobre minhas psicoses.
As chaves daqui trancam tudo, as grades nas janelas interrompem minha tentativa de visão para uma quase paisagem admirável. Ela é longínqua... Quase inatingível. Talvez, só exista na nossa imaginação, na imaginação de quem daqui, louco e bemol, tenta se suavizar. Fugir? Impossível. Aqui no Brasil não tem o ônibus que resgata bruxos em apuros. Esperar e esperar... Logo-logo fujo de 1001 ou de Gol; mas como o prefeito que tudo quebrou quando a eleição perdeu não me pagou... Talvez eu vá de caronas mesmo... Um dia devo retornar à casa Sagrada e também à Casa Santificada.

segunda-feira, dezembro 15, 2008

Conhecimento x Aprendizagem

Sarasvati, a deusa do Conhecimento

Aprendizagem é diferente de Conhecimento. Penso que Aprendizagem está muito mais na prática do viver em que, por cópia ou imposição, o aprendiz promove atos mecanizados. Conhecimento, isso é outra coisa! Está ligado intimamente à reflexão, à indagação, à inspiração, ao estudo, ao teste, ao debate, etc. Importante ressaltar: de nada vale a Aprendizagem sem o Conhecimento, assim como de nada vale o Conhecimento sem a Aprendizagem. Usando a pragmática, basta lembrar do filme Irmãos Gêmeos, em que a personagem Julius (Arnold Schwarzenegger) detinha conhecimentos vários e nehuma prática, ou seja, não havia passado pelo processo de aprendizagem; enquanto que Vincent (Danny Devito) apenas tinha a aprendizagem e nenhum conhecimento.

O TEMPO é individual!

É. Realmente o Tempo é o Senhor da Razão e da Emoção.
Com o Tempo tomamos razão não só dos valores daquilo que aprendemos, mesmo que com dores, mas também aprendemos o nosso próprio valor, bem como o valor daquilo que adquirimos sob Sua regência: Conhecimento. Feliz, ou infelizmente para alguns, existe a TEMPERANÇA, Senhora essa que nos pede cautela para lidar com o conhecimento e com o Senhor Tempo. Nós temos o conhecimento porque vivemos sob a regência de um específico Senhor Tempo (cada ser está sob a regência de um único e específico Senhor Tempo!) que assim nos permitiu, mas isso não implica na permissão, motivados pela incompreensão, de impor aos outros o mesmo desenvolvimento de Conhecimento que nós temos. A Temperança nos pede Calma, Serenidade e Humildade para lidarmos com o nosso Conhecimento e o nosso Senhor Tempo, a fim de que não nos tornemos apoquentadores dos outros e, assim, torná-los incapazes de se encontrar com o próprio Senhor Tempo, ou pior, torná-los negligenciadores de si mesmo e de seus Senhores.

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Fé demais é de mais ou de menos.

Se tiveres fé, lê até o final, não sucumba à primeira impressão.


Fé demais não cheira bem. Realmente, às vezes, apegamo-nos a certas previsões, magias, isso ou aquilo outro de forma exacerbada que acabamos por nos cegar e, assim, não vemos as melhores oportunidades de aprender, de crescer, de ser feliz que a nós é mostrado. É, hoje, estou direta e reta, sem poesia ou lamentação.
Alguns dos resultados disso é a perda da fé, a loucura, ou a miséria total. Dizer que não trabalho porque Deus não quer, porque Deus tem outra missão preparada para mim, é algo muito delicado, pois além de brincar com a própria fé, brinca-se com a fé alheia. Cadê então a missão preparada por Deus? Será depender dos outros para tomar um ônibus que seja? Será ouvir as cobranças alheias? Meu Deus! Socorro!
Sei fazer com perfeição muitas coisas dentro da minha área. Por que então não faz? Porque não me dão valor! Mas aí ficar entre a falta de valorização alheia, daquele que lhe paga o sustento, e a falta de valorização da família ou, pior, da sociedade é algo discutível. Talvez, pior mesmo que tudo isso, seja a falta de valorização própria. Tudo em nome da vaidade, ou do medo. Humanos todos somos. Sujeitos a erros, todos estamos. Mas até quanto e quando nós podemos errar? Quanto de crédito temos com o nosso possível Criador? Dúvidas todos têm o direito de ter, até mesmo com o seu Criador se até tu ousas com Ele brincar!
Será que quando Deus fala que o filho não deve trabalhar e aguardar que sua missão preparada aconteça, ele não quer testá-lo para ver até onde se pode ir? Será que não quer nos ver lutando contra Ele mesmo, Suas vontades coisa e tal? Não trabalhar para alguém saudável e talentoso é algo, aos olhos de todos, cômodo, simples e totalmente cômodo; ainda mais se há quem lhe pague as contas! Isso é para aquele que sucumbiu às tentações da alma, da carne, do diabo e dos vizinhos invejosos.
A fé demais nos cega às melhores oportunidades! Principalmente de raciocinar, reunir forças e lutar. Condiciona-nos è dependência e à negligência alheias; rouba-nos a capacidade de ação. Isso Não! Ter fé é bom e saudável desde que com Temperança.
Ter fé para lutar; ter fé para buscar; ter fé para parar algo ruim e fazer acontecer algo bom para si e para o outro sem qualquer interesse. Isso SIM! Fé para transformar o mal no bem, a tristeza na alegria, a fraqueza na força, a vaidade na humildade, a doença na saúde, a solidão na companhia, a burrice na sabedoria.
Que assim seja!


Fides quaerit intellectum.

“A fé vai em procura do intelecto.”
S.Anselmo, Escolástica.


Por isso creio sim em todas as Forças da Natureza, procuro e procurarei sempre administrá-las com juízo, com reflexão e equilíbrio. Lutarei sim hoje e sempre para fazer o melhor que posso esperando sempre, em primeiro lugar, o reconhecimento de mim mesma. Dos outros? Se vier é lucro. De mim isso sim é o esperado, pois é aí que encontrarei sempre a felicidade que é a força motriz de tudo, o objetivo, as causa e conseqüência verdadeiras.


Unum bonum est quod beatae vitae causa et firmamentum est, sibi fídere.
“Só há um bem que é a causa e o fundamento de vida feliz: a confiança em si mesmo.
Sêneca, Epístulae, 31,3

Por isso faz sentido quando lemos O Reino de Deus está dentro de nós! Se não pudermos confiar em nós mesmos, de que valerá a confiança em Deus? Como Deus confiará em alguém que nem se quer confia em si mesmo? Não é agressão, nem desabafo, tampouco, desacato, mas sim uma reflexão fruto das mil vidas que vivi e assisti em 2009. Tudo é possível sim àquele que crê, porém só crer e nada fazer, fica difícil! Dentro de ti, habita Deus, nas tuas mãos está a Sua força. Levanta-te a anda antes que passe a banda e sua boa música deixe de tocar aos teus ouvidos e te chegues o temido som da trombeta final.

sábado, novembro 29, 2008

Obturação



Certa vez, tive um relacionamento curto e profundo. Será que algo curto pode ser ao mesmo tempo profundo? Acho melhor dizer, curto e intenso. Bom, a história se resume no fato que fui percebendo, à medida que me apaixonava, que o “bom” moço tinha mesmo era um belo buraco para obturar, não um buraco no dente, mas pior, no coração; e por isso, enquanto estava nas intensidades comigo (intensidades, penso agora que só existiam em mim), ele planejava friamente uma viagem para o outro lado do Atlântico para procurar seu “tapa-buraco”. Essa expressão ficou estranha, pois ele é homem e pode se sentir ofendido, mas na falta de uma expressão melhor, deixo essa mesma. Enfim, planejava o encontro do seu “tapa-buraco” e fingia para si como para mim e para quem mais estivesse ao redor que iria em busca de qualificação profissional. Até poderia ser, mas pela profissão, duvido o tamanho do empenho financeiro o qual lhe atribuiu o título do bom filho que sempre retorna à casa do pai.
A história acabou resultando na minha desistência e resistência ao mesmo tempo. Se é que isso é possível. Ele foi. Há dois meses e um pouco, recebi um e-mail que dizia que voltaria num certo dia 10, passou dois dias de número 10 e nada. Nada mais de e-mail, muito menos telefonemas. Se eu estou realmente a sua espera, não sei. Tenho dúvidas até mesmo sobre isso. Mas o problema é: eu preciso de uma obturação. Não, não em algum dente, talvez isso seja até preciso, mas não estou preocupada com isso agora. Mas preciso urgentemente obturar meu coração.
Talvez o buraco a ser obturado tenha aumentado porque eu, virava e mexia, nele pensava e hipotetizava uma situação que nunca teria acontecido, mesmo sem a necessidade da obturação dele. A culpa pelos buracos no nosso peito, muitas vezes, é nossa mesmo! Porque nós valorizamos e intensificamos vivencias e sentimentos que não merecem tanto. Deixamos de viver o real com alegria, para vivermos o irreal com desequilíbrios como se estivéssemos sempre à beira de um penhasco.

sexta-feira, setembro 01, 2006

De volta ao Passado

Tirei a segunda e chuvosa noite de férias para pensar em quantas vezes já desejei poder voltar ao passado e arrumar algo que não deu certo; seja lá uma escolha, um (mal) dito, uma (des) atitude; enfim, algo de que eu me arrependa. Passei a vida inteira, da infância até quase esses dias, pensando “Ah, se eu pudesse voltar ao passado, eu não faria tal coisa”, mas depois de ter assistido o filme Efeito Borboleta (EUA, 2004; Direção: Eric Bress J. Mackye Gruber) acho que não pensarei mais nisso.

O filme é sobre um rapaz que tem o poder de voltar ao passado, através de algo que o desperte recordações (diários e filmes), e, assim, tenta arrumar por várias vezes a vida da menina que adora desde a infância e de seus amigos. Porém, a cada vez que volta ao passado, a vida de alguém é drasticamente alterada, seja a de um dos amigos, a da menina, ou a da sua mãe e da sua própria vida. Ele apenas consegue mudar o passado, mas não consegue prever as conseqüências daquelas mudanças, as quais podem ser muito ruins.

Hoje, agora, penso que se eu pudesse voltar ao passado para tentar arrumar alguma coisa, o que eu arrumaria? Não teria ido a x lugar em x hora ou dia, ido embora mais cedo de uma x festa, não ter começado a fumar, não ter deixado de fazer x coisa, não ter brigado com x pessoa? Não sei... De tantas coisas que me aconteceram, a única que eu verdadeiramente mudaria seria a parte de ter começado a fumar, mais nada.

Com o tempo, com as experiências que adquiri, com as reflexões que sempre faço em cima de tudo o que vivo; concluo que se eu tivesse o poder de alterar o meu passado e, assim, deixasse de fazer ou fizesse diferente algo que não tenha dado certo e que me tenha feito chorar, as conseqüências me trariam arrependimentos ainda maiores. Afinal de contas, quem seria eu sem as minhas vivências? Eu não seria nada! Eu não teria nada para contar... Não teria parâmetros para comparar se ando ou não no caminho certo, não poderia nem ao menos arriscar uma prospecção a um amigo. Eu não seria Eu, seria Nada. Não teria visto o mundo, sentido as profundas emoções que senti, não saberia reagir às adversidades da vida, não daria valor a mim, não daria valor aos amigos fiéis e nem à minha família.

Hoje gosto de mim, não me envergonho das minhas experiências mal sucedidas, nem me orgulho, no sentido de deslumbrar-me, com nada que tenha dado certo. Apenas me sinto como alguém que se coloca no mundo assumindo estar aprendendo a viver e a valorizar a própria vida, a qual é constituída de erros e acertos, amigos e inimigos. Não mudaria nada na minha vida, a não ser, reforço, o fato do fumar.

domingo, agosto 20, 2006

Atestar versus Testar

Provar: Atestar não! Somente testar!
Estou enfadada da burocracia de ter sempre de provar alguma coisa para alguém! Seja provar que aprendi o conteúdo do semestre do curso da faculdade, seja provar que sou uma boa menina aos pais, seja provar fidelidade ao namorado, seja provar que efetuei o pagamento do aluguel... Isso tudo me enfada!
Estou, há sete meses, sendo obrigada a produzir incessantemente inúmeros trabalhos acadêmicos. Para piorar; há quatro meses, deixei obrigarem-me a produzir por dinheiro, agora devo provar que produzi se não deverei reembolsar o patrocinador: devo terminar a produção da pesquisa paramétrica; que, aliás, é chatérrima, pois não há variáveis sociais, só formais; mesmo tendo a verba cortada devido à baixa nota da minha orientadora.
Há algum tempo, terminei uma longa relação amorosa por estar cansada de ter de provar fidelidade. Arrumei outro parceiro (sei bem o que ele era pra mim, porém, não sabia o que eu era para ele; a cada dia eu lhe era algo diferente) e eu me vi tendo de provar a ele que eu era mais do que sou... Bah, a relação acabou! Sou o que sou: (in) disciplinada, maníaca por limpeza, neurótica com bichos, fissurada em seriados de sábado, adoro filosofar sobre os acontecidos do dia-a-dia, adoro o meu espaço e as minhas coisas todas como são. Prefiro ser assim: amando o que sou e o que tenho, deixando-me estar sempre aberta às novidades, estando sempre à espera do amor perfeito, do companheiro ideal, indo sempre em busca de aventuras nas noites de calor, fazendo amizades a cada dobra de rua, sonhando em viajar pelos museus do mundo, em me tornar a toda poderosa e poder dar ao mundo o mínimo de conforto.
Para que esse enfado terrível acabasse, nesse mundo só o que deveria ser provado seria o gosto da paixão, o prazer da amizade, a comida estrangeira, os vinhos e queijos, os conhaques, as frutas, os amores, as viagens, os filmes, as exposições... Provar a sensação que cada coisa maravilhosa do mundo pode causar no âmago de cada um. Isso: Provemos só o que há de bom. Abaixo o provar no sentido de atestar! Grito o provar no sentido de experimentar, de sentir, de testar!